dfAinda com foco na grande safra dos Estados Unidos, o mercado internacional da soja registra mais um dia de forte queda na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (5). Por volta das 11h (horário de Brasília), os vencimentos mais negociados perdiam entre 9,75 e 11,50 pontos e a primeira posição – janeiro/15 – já perdia o patamar dos US$ 10,00 por bushel.

Segundo explicou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, esse é mais um dia de vendas por parte dos fundos e da pressão das boas notícias de clima, tanto para a colheita nos Estados Unidos, como também para o plantio da nova safra no Brasil.

A colheita da safra norte-americana se encaminha para a reta final, chegou a 83% até o último domingo (2) e conta com previsões climáticas que irão favorecer o bom desenvolvimento dos trabalhos de campo nessa última fase. A expectativa é de que no próximo boletim de acompanhamento de safras a ser divulgado pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na segunda-feira (10) a área colhida já chegue a mais de 90%.

O instituto de meteorologia norte-americano MDA Weather Service mostra um clima mais seco em quase todo o Meio-Oeste de 9 a 13 de novembro, o que deve garantir o progresso da colheita. E são condições como essas que permitiram o avanço de 13 pontos percentuais na última semana, fazendo com que os trabalhos se alinhassem à média dos últimos cinco anos e encerrasse o atraso configurado no início do processo.

Além disso, o mercado futuro americano concentra seu foco na grande safra norte-americana nesses últimos dias – o que resulta na terceira queda consecutiva para os preços da commodity em Chicago na sessão desta quarta – à espera do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA traz também na próxima segunda. As projeções dos traders é de que o departamento faça uma correção positiva para a safra 2014/15 dos Estados Unidos.

Segundo uma pesquisa feita pela agência internacional Bloomberg, a estimativa do departamento americano para a produção de soja no país pode subir para algo próximo de 108,2 milhões de toneladas, contra as 106,88 milhões projetadas em outubro.

Safra do Brasil

Passada a colheita nos Estados Unidos, segundo analistas, o foco do mercado futuro deverá se voltar à safra da América do Sul, principalmente no Brasil, onde o plantio começa com atraso e sob condições adversas de clima.

As principais regiões produtoras do Brasil vinham sofrendo com uma das piores estiagens em muitos anos e isso provocou, em alguns locais, a morte de algumas plantas e a necessidade do replantio de áreas localizadas. No entanto, novas previsões indicam melhores condições de chuvas para as próximas semanas e um cenário mais seguro para os trabalhos de campo.

De acordo com informações da Climatempo, novembro começa com uma maior disponibilidade de umidade sobre as regiões Sudeste e Centro-Oeste e, com isso, há uma intensidade maior de pancadas de chuvas sobre essas localidades e a situação de um bloqueio atmosférico se desfez. Assim, há áreas nessas duas regiões onde as precipitações podem ficar entre 100 e 200 mm.

Demanda

No entanto, se de um lado o mercado vem sendo pressionado por essas informações de clima e da grande safra dos Estados Unidos, as boas notícias para o mercado chegam do lado da demanda e já amenizam as perdas para a soja na sessão desta quarta em Chicago.

Segundo analistas da indústria pesquisados pela agência de notícias Reuters, as importações de soja pela China devem disparar em novembro e apresentar um aumento de 38%. Assim, nesse mês as compras chinesas podem chegar a 5,81 milhões de toneladas e, em dezembro, a 6,8 milhões, de acordo com estimativas do CNGOIC (Centro Nacional de Informações de Grãos e Óleos da China).

“As margens de esmagamento melhoraram muito desde outubro. Os preços da soja dos EUA estão baixos e uma recuperação nos preços do farelo e do óleo deve dar às indústrias melhores margens, disse Li Lifeng, analista de um website do setor à Reuters. E será essa força da demanda não só pela matéria-prima, mas também pelos subprodutos, segundo analistas, que trará sustentação aos preços da oleaginosa.

O Vice-Chairman da Cargill, Paul Conway, em uma entrevita à Reuters disse que, não só a China, mas todos os países emergentes da Ásia vêm, a cada dia, uma necessidade maior de garantir sua a segurança alimentar e de aumentar a oferta de produtos de qualidade. “A população chinesa tem se tornado muito sensível à questão da segurança alimentar e com razão. Para as commodities que vão direto ao consumo humano ou por meio das carnes, nós não vemos nenhum sinal de desaceleração da demanda”, acredita o executivo. ” Nós estamos confiantes de que, não só na China, mas nas regiões onde haja uma emergência mais forte e vibrante da classe média haverá uma uma demanda maior por produtos alimentares de maior qualidade e variedade”, completa.

Fonte: Notícias Agrícolas