No mercado atual de produtos biológicos para o controle de Sclerotinia sclerotiorum existe uma diversidade de fungicidas biológicos, sendo a maioria formulados a partir do fungo Trichoderma spp., que é um fungo antagonista de ocorrência natural, atuando na inibição e destruição de fungos fitopatógenos.

Para isso, utilizam a antibiose (mecanismos como antibióticos, toxinas e enzimas), que afeta o desenvolvimento e degrada as paredes celulares dos fungos fitopatógenos, invadindo-os para utilização de seus nutrientes. A produção de enzimas extracelulares, incluindo ß-1, 3-glucanase, quitinase, celulase, protease e metabólitos antifúngicos também são fatores importantes na destruição dos micélios e limitação do crescimento dos fitopatógenos.

Além disso, podem atuar também na decomposição de matéria orgânica e na degradação de resíduos tóxicos em solos contaminados com agrotóxicos. No caso desses fungicidas biológicos formulados com Trichoderma, o engenheiro agrônomo, entomologista e consultor em Fitossanidade Sustentável, Fernando Fonseca, considera duas tecnologias disponíveis no mercado:

Esporos: é nessa tecnologia que se encontra a maioria dos fungicidas biológicos, e tem como ingrediente ativo esporos do fungo Trichoderma spp. O esporo é a estrutura de reprodução do fungo, sendo basicamente uma célula envolvida por uma parede celular que a protege até que as condições ambientais se mostrem favoráveis à sua germinação.

Então, quando se aplica um fungicida biológico formulado em esporos, sempre se deve pensar em tratamento preventivo, além da necessidade que se faça sob condições ambientais favoráveis (alta temperatura, alta umidade, tempo de exposição a essas condições ambientais, baixo índice de raios UV) para que ocorra a germinação, e se transforme em micélio, que é a estrutura do fungo capaz de degradar o fungo patógeno e se alimentar dele.

Já o tratamento curativo com a tecnologia de esporos pode ser considerado arriscado, pois se não houver condições ambientais favoráveis o tratamento certamente não será efetivo no momento em que a fitossanidade do cultivo exige.

Normalmente, essa tecnologia é empregada para controle de doenças de solo, como é o caso daS. sclerotiorum no início do cultivo.

Micélios + carga enzimática: esta tecnologia pode ser considerada a “evolução” da tecnologia de esporos, pois a partir dela é possível obter resultados de controle efetivos e em um curto espaço de tempo. Assim, pode ser comparada aos fungicidas químicos em relação ao tempo de ação no controle do fitopatógeno.

O micélio é a estrutura do fungo responsável pela sustentação e absorção de nutrientes, ou seja, é o responsável pela alimentação do fungo; é a estrutura que vai degradar o fungo fitopatógeno.

Fernando Fonseca afirma que esta tecnologia apresenta, além de micélios do fungo Trichoderma spp., uma alta quantidade de complexos enzimáticos do tipo celulase, quitinase e protease, produzidas pelo próprio Trichoderma spp. “Essa alta quantidade de enzimas é capaz de degradar as paredes do micélio fúngico fitopatógeno devido à quebra das moléculas que as compõem, e abre o caminho rapidamente para que o micélio do Trichoderma spp. penetre no corpo do fungo fitopatógeno, se alimente do mesmo, e o deixe controlado devido à destruição das suas paredes celulares”, discorre o profissional.

A tecnologia pode ser empregada tanto para doenças de solo quanto para aquelas da parte aérea da planta.

A utilização dos produtos biológicos representa uma alternativa aos fungicidas convencionais, por:

Restrição de usos de fungicidas convencionais: em geral existe uma tendência pela eliminação de produtos de natureza “química” por parte das autoridades. Grandes números de substâncias estão sendo questionadas, e a tendência é maior, pois se abre um espaço a produtos de origem natural alternativos a outros formulados químicos.

Fenômenos de resistências a fungicidas: à medida que as aplicações de um mesmo fungicida químico têm sido realizadas de maneira repetitiva durante grandes períodos e durante vários ciclos de cultivo, os fungos estão desenvolvendo maior resistência a estes princípios ativos, pois produtos muito efetivos inicialmente estão perdendo parte de sua eficácia.